30 março, 2006
28 março, 2006
Matthew Shepard...

Estudante de Ciência Política na Universidade de Wyoming, Shepard era abertamente homossexual e mantinha ligações com grupos ativistas da universidade e entidades nacionais. Em Outubro de 98, numa noite, conheceu dois estranhos num bar. Ingenuamente, confessou-lhes ser gay... Os dois homens levaram-no para um campo. Matthew foi atacado a coronhadas que lhe esmagaranm o crânio, amarrado a uma cerca com o cadarço do próprio tênis, e largado inconsciente até que morresse de frio.
O julgamento dos assassinos de Matthew Shepard, condenados à prisão perpétua, transcorreu numa atmosfera de circo medieval, com a área em torno do tribunal repleta de manifestantes antigay. Gritos rancorosos ecoavam na manhã do seu funeral — contra o assassinado, entendam, não contra seus homicidas. Um cartaz dizia “Deus odeia os homossexuais”. A televisão mostrou. Os jornais e as revistas publicaram fotos.
Elizabeth Birch, do Human Rights Campaign: "Este crime não acontece num vácuo. Grupos de direita repetidamente dizem que gays e lésbicas são defeituosos, imperfeitos, e precisam de conversão".
E agora que também já aconteceu na nossa cidade, dá vontade de perguntar: "Who's next"
The Laramie project

A play by Moisés Kaufman andThe Members of the Tectonic Theater Project
On October 7, 1998, a young gay man was discovered bound to a fence in the hills outside Laramie Wyoming, savagely beaten and left to die in an act of brutality and hate that shocked the nation. Matthew Shepard's death became a national symbol of intolerance, but for the people of Laramie the event became deeply personal, and it is their voices we hear in this stunningly effective theater piece.
Moisés Kaufman and fellow members of the Tectonic Theater Project made six trips to Laramie over the course of a year and a half in the aftermath of the beating and conducted more than 200 interviews with people of the town. From theses interviews as well as their own experiences, Kaufman and the Tectonic Theater members have constructed a deeply moving theatrical experience. The Laramie Project chronicles the life of the town of Laramie in the year after the murder, using eight actors to embody more than sixty different people in their own words - from rural ranchers to university professors. The result is a complex portrayal that dispels the simplistic media stereotypes and explores the depths to which humanity can sink and the heights of compassion of which we are capable.
laramie em Lisboa...
O Teatro Maria Matos, em Lisboa, reabre hoje, Dia Mundial do Teatro, com um documentário intitulado «Maria Matos, um teatro com história» e a peça de Samuel Beckett «Rádio Plays».
O Evento de Abertura, que decorrerá durante cerca de um mês, encerra a 20 de Abril com a primeira produção própria da companhia do Teatro Maria Matos - «Laramie», com encenação do actor e director artístico deste espaço, Diogo Infante, pode ser vista até 21 de Maio.
27 março, 2006
E se um dia o Inverno se fechasse dentro de uma redoma de vidro fosco e cá fora, à solta, se libertassem os pensamentos rarefeitos de um mundo que não se coordena em seu proveito?
Estava pronto para o frio! Saí envolto em barreiras físicas que me ocultavam o corpo do mundo exterior curioso a tudo o que não existia em mim! Sentia-me transportado por ideias feitas de mim mesmo que se materializavam em pedaços de pano que não eram eu! Só a face e as mãos se mostravam aos outros, tal como eu era: corpo primeiro, eu depois.
Caminhei ao encontro de esparsas ideias que me orientavam momentaneamente. Chovia! Caíam bátegas simples de uma mistura de cinzentos imperfeitos, aos quais nenhuma virtude era reconhecida!
Na rua o cheiro a nada, era o odor da habituação ao mais mundano dos cheiros. Eram cheiros visuais que cristalizavam na memória a impulsividade de percorrer mais um instante. E os instantes sucediam-se sem contornos definidos, sem propósito de mutação.
Como que empurrado sem premeditação, choquei contra uma figura feminina de dimensões brutas, de semblante hiperbolicamente redefenido pela depressão e pela mágoa. A cabeleira era deixada ao acaso sobre um rosto de linhas rectas e maltratadas. O olhar intensamente renovado pela novidade de uma morte anunciada há muito, era como que um rejuvenescimento no seio de um hausto de decadência. Tinha na mão um velho livro, de pequenas dimensões, manuscrito, amarelecido pelos tempos intermináveis que passara na velha biblioteca, do velho sótão, da arrecadação da fábrica dos têxteis que antigamente se situava na esquina da Rua da Fábrica com a do Almada. Sem falsos gestos, estendeu-o e proclamou com uma voz débil mas suportada por uma esperança temerosa:
- Amas o sonho como à própria realidade. Porque para ti eles são a mesma face de distintas formas do existir!
23 março, 2006
21 março, 2006
Kollontai

Nasceu em Peterburgo, filha de um general.
Participou de movimentos revolucionários desde 1890. Em 1906 juntou-se aos mencheviques. E em 1915 tornou-se membro do Partido Comunista. Viajou com delegações do Partido Social-Democratico dos Trabalhadores na Rússia, participando de congressos em Stuttgart (1907), Copenhagen (1910), Basel (1912). Passa pela Inglaterra, Alemanha, Itália, Dinamarca, França, Suécia, Noruega, EUA... Durante a primeira guerra mundial enfrentou detenções e deportações devido a sua campanha antimilitarista. Em março de 1917 voltou à Rússia. Foi incluída no Comitê Executivo do Soviet de Petrogrado, na parte de organização militar dos bolcheviques. Era uma oradora talentosa, falava com grande desenvoltura entre soldados e marinheiros. Teve participação ativa na preparação para a rebelião armada de outubro. Depois da Revolução tornou-se Comissária do Povo.Em 1918, resolve apoiar a continuidade da Rússia na Primeira Guerra Mundial, só que modificando a guerra imperialista por uma guerra comunista. Sendo assim, abandonou o Conselho de Ministros. Mas, mais tarde reconheceu ter tomado uma posição errada.Em 1920 foi chefe da seção feminina do Comitê Central. Nos anos de 1920 e 1921 foi participante do grupo “oposição dos operários”. Ainda em 1921 e em 1922 participou do Secretariado Feminino Internacional do Comintern. Kollontai foi a primeira mulher embaixadora no mundo. Desde 1923 foi representante plenipotenciário e comercial da URSS na Noruega. Depois disso foi também no México, novamente na Noruega e depois na Suécia. Em 1945 torna-se conselheira do Ministério dos Assuntos Exteriores da URSS. Foi autora de livros e artigos sobre o movimento revolucionário feminino.
Morreu em 9 de março de 1952.
Quero amar-te e não consigo!
Quero fender o teu verso imparável com as minhas palavras de idealista incauto e devaneado. Quero perpetuar a minha voz com o sabor do incontornável cheiro da tua mordedura!
Quero fruir do teu incansável êxito e perder o sentido para o meu fim!
Quero fazer do meu espaço a tua liberdade!
Quero sublimar-me e atingir a tua metafísica genuína, e poder viver nela, sempre!
Quero sonhar-te alto e impraticável, sobejamente tolerante ao fascínio do mundo!
Quero realizar-te perene e mutavelmente simples.
Quero ocasionar-te em cada repetição do instante.
Quero cogitar a totalidade de todo o teu ser, sem a fraqueza de perder-te!E não consigo…!
Estou equipado para o amor, e não consigo fazê-lo acontecer. Sonho uma realidade imperceptivelmente tenaz e fugidia!
Não sou mais que o amor idealizado, o único alguma vez perfeito!
Quero fender o teu verso imparável com as minhas palavras de idealista incauto e devaneado. Quero perpetuar a minha voz com o sabor do incontornável cheiro da tua mordedura!
Quero fruir do teu incansável êxito e perder o sentido para o meu fim!
Quero fazer do meu espaço a tua liberdade!
Quero sublimar-me e atingir a tua metafísica genuína, e poder viver nela, sempre!
Quero sonhar-te alto e impraticável, sobejamente tolerante ao fascínio do mundo!
Quero realizar-te perene e mutavelmente simples.
Quero ocasionar-te em cada repetição do instante.
Quero cogitar a totalidade de todo o teu ser, sem a fraqueza de perder-te!E não consigo…!
Estou equipado para o amor, e não consigo fazê-lo acontecer. Sonho uma realidade imperceptivelmente tenaz e fugidia!
Não sou mais que o amor idealizado, o único alguma vez perfeito!
14 março, 2006
JMF sempre a somar...
Fantástica entrevista de José Manuel Fernandes a Augusto Santos Silva em http://www.publico.clix.pt/shownews.asp?id=1250548&idCanal=12
Note-se pelo tom do entrevistador o que é um bom exemplo de isenção jornalística...
E note-se mais ainda a grande dúvida do senhor quando fala em "eventuais descriminações"
Eventuais, disse ele...
Recorde-se que este sr. director foi o mesmo que há uns dias afirmou ser contra a inclusão da homofobia/trnasfobia na legislação sobre crimes de ódio... porque, segundo o próprio, isso colidiria com a liberdade de expressão...
Se eu quisesse matar este senhor (que não quero), porque raio deveria ser preso???? Afinal seria a minha liberdade de expressão que estaria em causa...
Note-se pelo tom do entrevistador o que é um bom exemplo de isenção jornalística...
E note-se mais ainda a grande dúvida do senhor quando fala em "eventuais descriminações"
Eventuais, disse ele...
Recorde-se que este sr. director foi o mesmo que há uns dias afirmou ser contra a inclusão da homofobia/trnasfobia na legislação sobre crimes de ódio... porque, segundo o próprio, isso colidiria com a liberdade de expressão...
Se eu quisesse matar este senhor (que não quero), porque raio deveria ser preso???? Afinal seria a minha liberdade de expressão que estaria em causa...
Inquietação
Estou inquieto.
Concentro em mim um faro inimputável para a ansiedade
Uma necessidade lírica de procura inconsequente
Uma lente deformadora que transgride a linha da serenidade, que dilui os contornos palpáveis da lisura invernal em que me movimento
Tento viver através da fátua imagem literal que este exterior constrói por mim
Mas não resisto
Sou inquieto.
Sou néscio na minha forma de saborear a existência
Porque não me sento e espero que o brilho das coisas puras me cale e me molde à vontade dos presentes que se sucedem?
Porque tenho eu de interferir no decorrer do tempo?
Porque tenho eu de ver o cheiro que a rua exala?
Porque tenho eu de ouvir a forma do céu impertinente?
Porque tenho eu de sentir os sons que saem das clarabóias da imagem de um gosto pelo colapso de todas as coisas materiais?
Porque sou eu o que procura e não o que atinge a meta?
Vivo nesta solidão socializada, neste engano puro dos olhos que fingem ver o brilho imaculado na fachada de um prédio senil, nesta mentira de caminhar sobre a inconsistência de um volume sem piso.
Vivo através deste olhar de pastor toxicómano, vivo nesta ilusão de fruir a verdade de uma realidade que partilho e não consigo.
Sinto esta chama de propósitos em cada multividência de mim cá dentro
Saio de casa e sou incauto nas minhas tendências para a funcionalidade
Caminho só e livre
Porque só sou verdadeiramente livre quando estou só
Só sou verdadeiramente verdadeiro quando me sinto a mim e não aos outros
Rumo ao impasse de um trajecto mil vezes consumido
E ele é outro, é todos, é um só na sua multitude de existências
E forçosamente não percebo que ele é sempre o mesmo
Depois disto quem me forja uma identidade?
Quem me liberta da pena a que me condenei por existir nesta dimensão da essência
Da essência de algo que não é essencial?
Essencial sou eu mais esta essência mais este perene fardo que transporto
E todas as verdades do mundo que não passam de mim mesmo para o mundo
Ficam cá, ganham fungos de tanto permanecerem
Germinam novas características da mesma coisa
Coisa que se perpetua
Coisa que não é coisa, são coisas.
Ah a verdade de um poema já escrito!
E a mentira daquele que está cá dentro!
Que dualidade?
A dualidade desta visão quimérica do invisibilismo a que me voto
E a surpresa de uma dependência trivialmente inata pelo fingimento
Por me tornar inverosímil sem condições, sem restrições!
Inquieto-me
Intemporalmente inquieto-me
Para dar materialidade incorpórea à linguagem
Essa linguagem autista dos segredos não-falados
Esta verborização selvagem, esse cais de largada onde o destino está marcado à hora da partida.
Inquietação
Ou o tempo em que o pensamento é sobre-humano
Forçosamente inquieto e sobre-humano.
Concentro em mim um faro inimputável para a ansiedade
Uma necessidade lírica de procura inconsequente
Uma lente deformadora que transgride a linha da serenidade, que dilui os contornos palpáveis da lisura invernal em que me movimento
Tento viver através da fátua imagem literal que este exterior constrói por mim
Mas não resisto
Sou inquieto.
Sou néscio na minha forma de saborear a existência
Porque não me sento e espero que o brilho das coisas puras me cale e me molde à vontade dos presentes que se sucedem?
Porque tenho eu de interferir no decorrer do tempo?
Porque tenho eu de ver o cheiro que a rua exala?
Porque tenho eu de ouvir a forma do céu impertinente?
Porque tenho eu de sentir os sons que saem das clarabóias da imagem de um gosto pelo colapso de todas as coisas materiais?
Porque sou eu o que procura e não o que atinge a meta?
Vivo nesta solidão socializada, neste engano puro dos olhos que fingem ver o brilho imaculado na fachada de um prédio senil, nesta mentira de caminhar sobre a inconsistência de um volume sem piso.
Vivo através deste olhar de pastor toxicómano, vivo nesta ilusão de fruir a verdade de uma realidade que partilho e não consigo.
Sinto esta chama de propósitos em cada multividência de mim cá dentro
Saio de casa e sou incauto nas minhas tendências para a funcionalidade
Caminho só e livre
Porque só sou verdadeiramente livre quando estou só
Só sou verdadeiramente verdadeiro quando me sinto a mim e não aos outros
Rumo ao impasse de um trajecto mil vezes consumido
E ele é outro, é todos, é um só na sua multitude de existências
E forçosamente não percebo que ele é sempre o mesmo
Depois disto quem me forja uma identidade?
Quem me liberta da pena a que me condenei por existir nesta dimensão da essência
Da essência de algo que não é essencial?
Essencial sou eu mais esta essência mais este perene fardo que transporto
E todas as verdades do mundo que não passam de mim mesmo para o mundo
Ficam cá, ganham fungos de tanto permanecerem
Germinam novas características da mesma coisa
Coisa que se perpetua
Coisa que não é coisa, são coisas.
Ah a verdade de um poema já escrito!
E a mentira daquele que está cá dentro!
Que dualidade?
A dualidade desta visão quimérica do invisibilismo a que me voto
E a surpresa de uma dependência trivialmente inata pelo fingimento
Por me tornar inverosímil sem condições, sem restrições!
Inquieto-me
Intemporalmente inquieto-me
Para dar materialidade incorpórea à linguagem
Essa linguagem autista dos segredos não-falados
Esta verborização selvagem, esse cais de largada onde o destino está marcado à hora da partida.
Inquietação
Ou o tempo em que o pensamento é sobre-humano
Forçosamente inquieto e sobre-humano.
09 março, 2006
Mesmo a calhar...
NÃO: Não quero nada.
Já disse que não quero nada.
Não me venham com conclusões!
A única conclusão é morrer.
Não me tragam estéticas!
Não me falem em moral!
Que mal fiz eu aos deuses todos?
Se têm a verdade, guardem-na!
Não me macem, por amor de Deus!
Queriam-me casado, fútil, quotidiano e tributável?
Queriam-me casado, fútil, quotidiano e tributável?
Queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer coisa?
Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade.
Assim, como sou, tenham paciência!
Vão para o diabo sem mim,
Ou deixem-me ir sozinho para o diabo!
Para que havemos de ir juntos?
Não me peguem no braço!
Não gosto que me peguem no braço. Quero ser sozinho.
Já disse que sou sozinho!
Ah, que maçada quererem que eu seja da companhia!
Deixem-me em paz! Não tardo, que eu nunca tardo...
E enquanto tarda o Abismo e o Silêncio quero estar sozinho!
Álvaro de Campos, Lisbon Revisited, 1923
08 março, 2006
Esta descoberta, esta... inquietação!
"Somos quem não somos e a vida é pronta e triste."
"Quantos somos! Quantos nos enganamos! Que mares soam em nós, na noite de sermos, pelas praias que nos sentimos nos alagamentos da emoção! Aquilo que se perdeu, aquilo que se deveria ter querido, aquilo que se obteve e satisfez por erro, o que amamamos e perdemos e, depois de perder, vimos, amando por tê-lo perdido, que o não havíamos amado; o que julgávamos que pensávamos quando sentíamos; o que era uma memória e críamos que era uma emoção; e o mar todo, vindo lá, rumoroso e fresco, do grande fundo de toda a noite, a estuar fino na praia, no decurso nocturno do meu passeio à beira-mar ...
Quem sabe sequer o que pensa ou o que deseja? Quem sabe o que é para si-mesmo?"
"Quantos somos! Quantos nos enganamos! Que mares soam em nós, na noite de sermos, pelas praias que nos sentimos nos alagamentos da emoção! Aquilo que se perdeu, aquilo que se deveria ter querido, aquilo que se obteve e satisfez por erro, o que amamamos e perdemos e, depois de perder, vimos, amando por tê-lo perdido, que o não havíamos amado; o que julgávamos que pensávamos quando sentíamos; o que era uma memória e críamos que era uma emoção; e o mar todo, vindo lá, rumoroso e fresco, do grande fundo de toda a noite, a estuar fino na praia, no decurso nocturno do meu passeio à beira-mar ...
Quem sabe sequer o que pensa ou o que deseja? Quem sabe o que é para si-mesmo?"
do patrono deste blog, Bernardo Soares
Porque é que todos os dias eu saio à rua e todos os dias a rua é diferente?
05 março, 2006
Coelhinhos, ou não...
Em noite de óscares, para quem não teve a felicidade (ou infelicidade) de ver o amor impossível entre os guardadores de rebanhos, fiquem com um curioso resumo em http://www.starz.com/features/brokebackmountain/index.html
03 março, 2006
Portugal versus França
«'Two sailors.
''From here? Martinique?
''No. Two Portuguese sailors off a ship that was in harbor. He met them in a bar. He was here working on an opera, and he'd rented a house. He took them home with him -''I do remember. They robbed him and beat him to death. It was dreadful. An appalling tragedy.'»
Music for Chameleons by Truman Capote
Music for Chameleons by Truman Capote
Illan Halimi era um jovem judeu francês. Foi raptado por um grupo de outros jovens franceses, na sua maioria muçulmanos mas incluindo também um luso-descendente, e após algumas tentativas de obtenção de resgate (aparentemente não muito sérias) foi morto depois de dias de tortura que incluiram queimaduras na maior parte do seu corpo. Os seus raptores entretanto capturados negaram qualquer motivação religiosa para o crime, disseram que o escolheram apenas porque pensavam que sendo judeu seria necessariamente rico. A ideia de negar o óbvio é prevenir agravamentos na pena pelo claro crime de ódio que praticaram.
Em França de imediato o assassinato de Illan Halimi foi assumido como um crime de ódio, ódio contra os judeus no caso. O nome da vítima e a sua foto foi exaustivamente mostrada em jornais e TV's. Associações judias e líderes religiosos fizeram ouvir a sua opinião através da imprensa. O país comoveu-se com o crime hediondo, e no Domingo milhares de franceses (incluindo políticos de máxima relevância à esquerda e à direita) saíram à rua em manifestações contra o anti-semitismo: «Milhares de pessoas desfilaram em Paris contra morte de jovem judeu» - noticia o Público.
Tal e qual o caso da Gis.... não haja dúvida!
in Glória Fácil
(...) a forma como os media estão a tratar o homicídio do porto evidencia uma interessante mescla de engulhos, preconceitos e inépcias. que, de resto, se afirmam quase sempre perante um crime perpetrado por menores. sucede que, neste caso, a esse facto acresce, a crer no que tem sido divulgado, a natureza brutal de uma acção continuada, assim como a natureza da vítima.e é aí, na natureza da vítima, que as narrativas mais claudicam. começaram por descrevê-la como 'um sem abrigo toxicodependente'. depois surgiu o qualificativo 'prostituto'. depois 'travesti' e 'brasileiro'. e, nos últimos dias, a revelação da sua seropositividade para o hiv e da sua transsexualidade. uma multiplicação de factores de exclusão que se diria quase excessiva e para muitos confusa: quantos jornalistas, para não falar do público, sabem qual a diferença entre um travesti, ou seja, alguém que através da roupa e da maquilhagem assume características de outro género (feminino ou masculino) que não o seu, e um transsexual, ou seja, alguém que assume uma identidade de género que não coincide com o seu sexo biológico? (para não falar na confusão destas duas denominações com a ideia de homossexualidade, claro). (...)
vale a pena ler o post todo, em:
http://gloriafacil.blogspot.com/2006/02/gis.html
e aqui está um exempolo fácil da merda do jornalismo que se faz em Portugal:
http://www.publico.clix.pt/shownews.asp?id=1249261&idCanal=62
Subscrever:
Mensagens (Atom)

